Carnaval, adolescentes, sexo e drogas: como conversar sem afastar
O Carnaval é um período de muita liberdade, festa e intensidade. Para os adolescentes, isso costuma vir junto com curiosidade, vontade de experimentar coisas novas e, principalmente, desejo de pertencer ao grupo. Tudo isso é natural nessa fase da vida.
Na psicologia junguiana, entendemos que a adolescência é um momento em que o jovem ainda está se descobrindo: quem ele é, o que sente, quais são seus limites. Emoções e impulsos aparecem com força, muitas vezes antes de existir maturidade para lidar com as consequências. Por isso, mais do que controlar, o papel dos pais é ajudar o adolescente a pensar.
Quando sexo e drogas viram tabu ou só aparecem em conversas cheias de medo e proibição, o adolescente tende a viver essas experiências escondido. E aquilo que não pode ser falado em casa costuma ser vivido sem cuidado fora dela.
O mais importante: vínculo
No fim das contas, o que realmente protege o adolescente não é o controle total, mas o vínculo. Saber que existe um adulto que escuta, acolhe e orienta faz com que o jovem pense antes de agir e procure ajuda quando precisa.
Como falar sobre sexo
Falar sobre sexo não é incentivar. É ajudar o jovem a entender que o corpo, o desejo e o afeto caminham juntos com responsabilidade e respeito.
Algumas falas possíveis para os pais:
- “Eu sei que nessa fase a curiosidade aparece, e isso é normal. O que importa é você se cuidar e respeitar seus próprios limites.”
- “Sexo envolve prazer, mas também envolve responsabilidade. Você sabe que pode conversar comigo se tiver dúvidas ou inseguranças?”
- “Ninguém é obrigado a fazer nada para agradar os outros. Consentimento também é saber dizer não.”
- “Quero que você viva suas experiências, mas sem colocar sua saúde ou seu emocional em risco.”
Essas falas ajudam o adolescente a perceber que o desejo não é errado, mas precisa ser vivido com consciência.
Como falar sobre drogas
Quando o assunto é droga, muitas vezes os pais focam apenas na substância. Mas o mais importante é entender o motivo que leva o adolescente a querer usar: curiosidade, pressão do grupo, vontade de esquecer problemas ou simplesmente se sentir aceito.
Exemplos de falas possíveis:
- “Eu sei que você pode acabar vendo drogas em festas. O que você pensa sobre isso?”
- “Se algum dia você se sentir pressionado a usar algo, quero que saiba que pode me ligar sem medo.”
- “Muita gente usa para tentar fugir de sentimentos difíceis. Se algo estiver pesado para você, vamos falar sobre isso.”
- “Não é porque todo mundo faz que você precisa fazer também.”
Aqui, o mais importante não é assustar, mas mostrar que o adolescente não está sozinho para lidar com suas escolhas.
Limites que protegem, não que afastam
Na psicologia junguiana, limites não são castigos. Eles funcionam como proteção para um jovem que ainda está aprendendo a lidar com suas emoções e impulsos. Combinar horários, conversar sobre locais seguros e deixar claro o que é ou não permitido traz segurança emocional.
Algumas falas simples:
- “Confio em você, mas alguns limites ainda são necessários.”
- “Liberdade vem junto com responsabilidade.”
- “Se algo sair do controle, nossa relação é mais importante do que qualquer bronca.”
O Carnaval passa. Mas a forma como o adolescente se sentiu cuidado, respeitado e escutado nesse período pode marcar profundamente sua relação consigo mesmo e com o mundo.
Por Dra. Andrea Beltran
Sobre a autora:
Dra Andrea Beltran é psicóloga analítica junguiana, formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo. Atua no acompanhamento de processos individuais com foco em autoconhecimento, vínculo e desenvolvimento emocional. Seu trabalho valoriza narrativas pessoais e vínculos profundos, buscando acolhimento genuíno em cada jornada.
Vanessa Gabrielli
MGA Press
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Foto: Divulgação
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