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17 fevereiro, 2026

Carnaval acende alerta importante

Aumento de infecções sexualmente transmissíveis no Brasil

Especialista reforça a importância da prevenção diante do crescimento de casos de sífilis, HIV e hepatites virais no período de folia

Com blocos lotados, festas prolongadas e maior circulação de pessoas em todo o país, o Carnaval também traz à tona um desafio de saúde pública: o aumento do risco de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Dados do Ministério da Saúde indicam que períodos de grandes aglomerações costumam ser acompanhados por um crescimento na exposição a essas doenças, o que reforça a necessidade de informação e cuidados básicos.

Ao longo dos dias de folia, a combinação de consumo de álcool, encontros ocasionais e relaxamento das medidas de prevenção cria um cenário propício para a transmissão de ISTs como sífilis, HIV, gonorreia, clamídia e hepatites B e C. Muitas dessas infecções podem ser assintomáticas em um primeiro momento, o que contribui para a disseminação silenciosa do vírus ou bactéria.

Segundo Lidiane Reis, coordenadora do curso de Enfermagem da Universidade Veiga de Almeida, a desinformação ainda é um dos principais obstáculos no combate às ISTs: “Diferente do senso comum, as Infecções Sexualmente Transmissíveis frequentemente não apresentam manifestações clínicas imediatas. Essa natureza assintomática favorece a transmissão involuntária por indivíduos que desconhecem sua condição sorológica”, explica.

A orientação dos profissionais de saúde é procurar um médico ou uma unidade de saúde sempre que houver relação sexual desprotegida, rompimento do preservativo ou contato considerado de risco. Além disso, sinais como corrimentos, feridas na região genital, ardência ao urinar, manchas na pele, ínguas ou febre sem causa aparente também exigem avaliação imediata.

“Mesmo sem sintomas, quem passou por uma situação de risco deve procurar uma Unidade Básica de Saúde ou um CTA (centro de testagem e aconselhamento) para orientação. O SUS oferece gratuitamente testes rápidos para HIV, sífilis e hepatites B e C, com resultados em até 30 minutos. Após uma possível exposição, a testagem é essencial. O Ministério da Saúde recomenda buscar atendimento imediato para avaliação, inclusive para o uso da PEP (Profilaxia Pós Exposição) em até 72 horas, além da realização de testes rápidos”, destaca Lidiane. Em alguns casos, o atendimento precoce permite iniciar tratamentos ou medidas de prevenção que reduzem significativamente o risco de complicações e transmissão.

A sífilis, por exemplo, tem apresentado crescimento expressivo nos últimos anos no Brasil, enquanto o HIV segue como uma preocupação constante, especialmente entre jovens adultos. Já as hepatites virais, apesar de menos lembradas, também podem ser transmitidas por via sexual e causar danos graves ao fígado quando não diagnosticadas precocemente.

Para a especialista, o Carnaval deve ser encarado como um momento de celebração, mas também de responsabilidade: “A prevenção envolve o uso da camisinha (masculina ou feminina) em todas as relações e a estratégia de Prevenção Combinada, que associa diferentes estratégias de prevenção ao HIV, em uma perspectiva voltada à saúde integral das pessoas. O SUS disponibiliza gratuitamente testes rápidos, além de orientações e cuidados em todas as Unidades Básicas de Saúde”, afirma a professora.

De acordo com a professora, o acesso rápido à informação e aos serviços de saúde pode fazer toda a diferença após uma situação de risco. “Ao se expor a uma situação de risco, a orientação é não esperar: a Profilaxia Pós Exposição (PEP) é uma medida de urgência e deve ser iniciada em até 72 horas. Já para quem busca proteção contínua, a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma alternativa eficaz. A recomendação é procurar uma unidade de saúde, utilizar preservativo e aproveitar a festa com responsabilidade. O Sistema Único de Saúde (SUS) garante atendimento gratuito e sigiloso”, diz.

Além disso, campanhas públicas costumam intensificar a distribuição de preservativos e materiais informativos durante o período carnavalesco, justamente para reduzir os impactos da folia na saúde da população. A recomendação dos profissionais é clara: aproveitar a festa sem abrir mão de cuidados que fazem diferença não só durante o Carnaval, mas ao longo de todo o ano.

Larissa Passos da Rocha Galiza
larissa.rocha@danthi.com.br

Foto: FreePik

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