Disparam e acendem alerta para o cuidado com a saúde emocional
Dados da Previdência Social mostram alta de 38% em concessões de auxílio-doença por saúde mental. Especialista do CEJAM explica como a nova NR-1 exige das empresas um olhar integral para a saúde psicossocial
São Paulo, maio de 2026 – Ambientes de trabalho têm se consolidado como um dos principais focos de atenção para a saúde mental no Brasil. Um levantamento do Ministério da Previdência Social revelou um aumento de 38% no número de concessões de auxílio-doença por transtornos mentais e comportamentais em 2023, totalizando 288 mil afastamentos – a terceira maior causa de licenças no país. Este cenário impulsiona uma mudança estrutural na segurança ocupacional, que passa a incorporar de forma explícita os riscos psicossociais como parte central das estratégias de prevenção.
Para o Dr. Rodrigo Lancelote, psiquiatra e diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental de Franco da Rocha (CAISM), unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) e gerenciada pelo CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”), a conexão entre o ambiente corporativo e o adoecimento é evidente.
“O desgaste mental está diretamente relacionado a multifatores, como aspectos pessoais, genéticos, contexto social, eventos de vida e ao trabalho. Portanto, pode estar fortemente associado à organização das atividades, especialmente quando há fatores de risco psicossociais. Sobrecarga, alta demanda emocional, desequilíbrio entre esforço e recompensa, assédio moral e jornadas prolongadas criam um ambiente de estresse contínuo e favorecem o surgimento de quadros de sofrimento psíquico”, explica o especialista.
Um fenômeno silencioso, mas de grande impacto, é o presenteísmo: o trabalhador permanece em atividade mesmo doente, com queda acentuada de desempenho e concentração. Ao contrário do absenteísmo (a falta), o presenteísmo é menos visível, mas provoca redução da produtividade, aumento de erros e piora do quadro clínico, muitas vezes por receio de estigmatização ou perda do emprego. No âmbito da saúde mental, costuma estar associado à ansiedade, depressão, síndrome de burnout, o que evidencia a necessidade de ambientes que promovam acolhimento, detecção precoce e cuidado apropriado.
Dados do INSS confirmam a gravidade da situação. “Além da frequência, chama atenção a duração desses afastamentos, que costumam ser mais longos e complexos do que em outras condições clínicas, especialmente quando não há identificação precoce dos sinais nem intervenções no ambiente de trabalho”, pontua. Entre os grupos mais vulneráveis estão as mulheres, que respondem por cerca de 60% a 65% das ocorrências, além de profissionais da saúde, educação e atendimento ao público.
Os sinais de alerta – fadiga, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações no sono – são frequentemente naturalizados até que o quadro se agrave. Nesse contexto, a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça a obrigação das organizações de identificar e gerir os fatores de risco psicossociais no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
“Isso amplia o olhar das empresas, que passam a considerar também fatores organizacionais e emocionais, muitas vezes menos visíveis, mas com impacto direto na saúde dos trabalhadores”, destaca o psiquiatra. “A prevenção é mais eficaz e sustentável do que atuar apenas após o afastamento.”
Linha de Cuidado em Saúde Mental
As unidades gerenciadas pelo CEJAM seguem as diretrizes das linhas de cuidado integrais que conectam a atenção primária a serviços especializados, como na Linha de Cuidado em Saúde Mental.
“No CEJAM, o atendimento em saúde mental é organizado a partir de um acolhimento qualificado, seguido de acompanhamento multiprofissional, sempre respeitando a singularidade de cada caso. Quando necessário, há encaminhamento para outros pontos da rede assistencial, como os Centros de Atenção Psicossocial, garantindo a continuidade do tratamento”, detalha Viviane Pressi Moreira, gerente da UBS Jardim Aracati, gerenciada pelo CEJAM em parceria com a Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo (SMS-SP).
“Essa abordagem contínua permite intervenções precoces, reduz o risco de agravamentos e contribui para a reabilitação psicossocial, com foco na autonomia e no apoio às famílias”, finaliza Viviane.
Sobre o CEJAM
O CEJAM – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
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Cezar Brandão
Editor


