Lula ataca a Alerj e constrange o Rio de Janeiro

Reacende a sombra da aliança com Cabral e Paes

Pegou muito mal o comentário feito pelo presidente Lula, no sábado (23/05), afirmando que “viria um miliciano caso a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro) tivesse sido responsável por escolher o novo governador do estado”. O fato ocorreu durante um evento na Fiocruz, no Rio. Lula estava com o governador em exercício, Ricardo Couto, ao seu lado. O deputado Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj, emitiu nota de repúdio, exigiu respeito com a Casa e seus pares, e com a população fluminense.

“Ninguém tá esperando que você faça um viaduto, ninguém tá esperando que você faça uma ponte, ninguém tá esperando que você faça uma praia artificial… Sabe o que as pessoas esperam de você? Trabalhe para prender todos os ladrões que governaram esse estado… Se a Assembleia (Alerj) tivesse que indicar, ia vir um miliciano”, disse a Ricardo Couto.

A fala foi considerada extremamente inapropriada para um presidente da república. Principalmente para Lula, que prega o diálogo e o entendimento entre as instituições. Seja por desespero, despreparo ou uma falta de noção repentina, fato é que o presidente demonstrou que está agindo com forte influência, junto aos tribunais de Justiça, para ditar o resultado da escolha para governador do estado, privilegiando, na cara dura, o seu escolhido, Eduardo Paes (PSD).

Pela lei estadual, o deputado Douglas Ruas, presidente da Alerj, assumiria o governo interino do estado.

Resposta imediata
Indignado, o presidente da Alerj publicou um vídeo nas redes sociais. “Lula mais uma vez desrespeitou nosso povo fazendo ataques generalizados. Lula e seu amigo Eduardo Paes não têm moral para dar lição ao Rio de Janeiro sobre combate ao crime organizado. Durante anos de governo do PT, o Brasil assistiu ao crescimento das facções criminosas e das milícias. Hoje, os estados mais violentos do Brasil são governados pelo PT, como é o caso da Bahia e do Ceará. Com seus aliados, como Sérgio Cabral e Eduardo Paes no poder aqui no Rio, o crime organizado se expandiu. O comando vermelho cresceu e as milícias avançaram. É curioso ver ataques do Lula à Alerj mencionando milícias, quando a única deputada estadual alvo de operação por suspeita de ligação com milícia pertence ao partido do Eduardo Paes (PSD). O povo do Rio não quer essa velha política. O povo do Rio quer ordem. Polícia forte, enfrentamento ao crime com coragem e respeito às instituições democráticas”, enfatizou Douglas Ruas, pré-candidato ao governo do estado.

Memória seletiva
Lula fala em justiça social para o estado, mas ignora o fato de que teve Sérgio Cabral como “braço forte” no Rio, iniciada nos anos 2000. A relação entre os dois pode ser dividida em quatro fases: aproximação eleitoral em 2006, aliança institucional forte entre 2007 e 2010, consolidação do eixo Lula–Cabral–Eduardo Paes no Rio, e depois a fase de desgaste judicial e político com a Lava Jato.

Em 2006, com Lula era presidente, a dobradinha entre os dois começou a ser desenhada. Era bom para Cabral, que se apoiava em sua relação com o presidente, que classificava como “muito fraterna”, e usava esse argumento para se eleger governador. Cabral se apresentou como o governador capaz de reconstruir a ponte entre o Rio e o governo federal. E conseguiu se eleger.

A relação também era muito conveniente para Lula, que precisava ampliar sua base com PMDB, na ocasião o partido mais forte do estado, um dos maiores colégios eleitorais do país, e conquistar o eleitorado fluminense. Além de garantir melhor governabilidade no Congresso Nacional.

Aliança Lula–Cabral–Eduardo Paes
A partir de 2008, a relação se ampliou com Eduardo Paes na Prefeitura do Rio. Cabral foi peça importante na aproximação de Paes com Lula. Reportagem arquivada pelo Senado registra que Cabral articulou encontro de Paes com o presidente após esforço do PMDB do Rio para aproximar Lula do então candidato Eduardo Paes à prefeitura. O desenho estava completo: Lula no governo federal; Cabral no governo estadual; Eduardo Paes na prefeitura da capital.

Lula simplesmente ignora o fato de que Eduardo Paes foi aprendiz de Sérgio Cabral na política e que seu governo Cabral acabou marcado por acusações e condenações de corrupção.

A reflexão é: Eduardo Paes e Sérgio Cabral são mesmo diferentes?

Lula e a Justiça
A estratégia e interferência de Lula sobre as eleições no Rio de Janeiro parece bastante direta e notória. Apesar de o PSD de Eduardo Paes ter um candidato próprio na disputa pela presidência da república, Ronaldo Caiado, Lula é quem vai receber o apoio de Paes no Rio. Estranho? Não, tudo pensado!

Paes desempenha seu papel e se coloca como opção de gestão para o estado do Rio, mas, por debaixo dos panos, age amparado pela estrutura gigantesca da prefeitura do Rio.

Fato é que o teatro está montado para outubro e tudo indica que Ronaldo Caiado é só mais uma marionete no jogo político, já que o palanque de Eduardo Paes no Rio será para Lula. Ficou feio para o PSD, lindo para o PT, mas é o jogo, Paes, Lula e Caiado estão acostumados.

INFOGRÁFICO: Desafios não superados / Promessas não cumpridas

Por Redação Rio Press

Imagem Divulgação

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Cezar Brandão
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Cezar Brandão é um jornalista e fundador do jornal Baixada Online, um veículo de comunicação voltado para a região da Baixada Fluminense no estado do Rio de Janeiro. Ele é conhecido por sua atuação no jornalismo local e pelo envolvimento com temas relevantes para a comunidade da Baixada Fluminense. Se você tiver interesse em informações mais detalhadas ou atualizadas sobre o trabalho de Cezar Brandão, recomendo navegar no site do jornal Baixada Online ou em suas redes sociais, onde ele pode compartilhar seus artigos e atualizações sobre sua atuação profissional.

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